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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Mais um novo começo


Quando as festividades de fim de ano começam a se aproximar,
temos aquela famosa falsa ilusão de que no próximo ano tudo vai ser diferente,
ficamos anestesiados"esperançosos" de que de alguma maneira mágica,
brigas de anos se dissolvam, que rancores e mágoas desapareçam como se nunca tivessem existido.
O tal dia esperado por 364 dias chega,
passa... e nada muda,
no dia seguinte as rixas são as mesmas o coração continua com ódio, rancor, mágoa,
E ai?
O que fazer?
O que fazer quando nos damos conta que somos incapazes de perdoar,
esquecer e começar do zero?
Para quem tem uma vida amena, sem maiores transtornos isso deve ser ucraniano que estou falando,
mas para as pessoas normais que na sua maioria vive com o salário apertado,
muitas das famílias hoje sustentadas só por pais ou mães sozinhos,
tendo que trabalhar e dividir o tempo que sobra entre os afazeres da casa e o cuidado com os filhos.
Difícil?
Pois é muito, e algumas pessoas por medo covardia ou simplesmente por falta de apoio e opção acaba se encostando na casa de um pai ou mãe,
ou quiçá dos dois o que é cada vez mais difícil, "ver pais casados mais de cinco anos".
E foi assim que vivi minha vida, encostada por conta de ser o melhor no momento,
e o momento dura até hoje.
E hoje ?
Posso eu culpar alguém por isso?
Claro que não... a culpa é minha por ter acreditado que as coisas mudariam e não ter feito efetivamente nada para realmente mudar isso.
Hoje sou obrigada por conta de problemas de saúde a aceitar coisas que não são muito boas de se ouvir, com quase 50 anos ouvir que você é uma inconsequente e que sempre faz mais do que pode realmente.
Não é nada fácil.
Pois é minha gente, ouve um tempo que eu achava que cuidar dos meus era uma coisa importante que isso geraria um campo energético entre nós que nada poderia atravessar, mas é porque eu era ingênua e tive pais que foram casados a vida toda e eu achava que tudo na minha vida seria do mesmo jeito.
Mas não foi, não adiantou carinho compreensão dedicação, ao longo da vida essas minhas ações foram deturpadas e chamadas de pieguice, fui acusada de ser injusta e prepotente, mas se os meus hoje são o que são, é porque nunca faltou diálogo, carinho e dedicação dos anos em que eu me fiz presente.
Será que algum dia pararam pra pensar de como seria a vida se eu não mais estiver disponível?
Espero que sim pois não tarda o dia em que eu sim me libertarei de toda essa carga de emoções que me acompanha desde sempre, e que foi mau interpretada muitas das vezes.
Quando este dia chegar e espero que não esteja longe, quem sabe eu falarei com o coração livre das mágoas
e me farei entender novamente.
Pois ouve um tempo que os meus me entendiam.